sexta-feira, 9 de setembro de 2011

Mortal Kombat Arcade Kollection junta três games da série por um preço só

Mortal Kombat Arcade Kollection (Foto: Divulgação)
Depois de empolgar os jogadores com uma nova versão do jogo de luta mais sangrento da história com o lançamento de um novo Mortal Kombat, em abril deste ano, a Warner e o NetherRealm resolveram ganhar um pouco mais de dinheiro e disponibilizaram para download uma coletânea com os primeiros games da série.

A primeira vista pode parecer um ótimo negócio: Mortal Kombat, MKII e Ultimate Mortal Kombat 3 por US$ 9,99, ou 800 Microsoft Points. Porém, o que poderia ser uma oportunidade de apresentar as raízes da franquia para novos jogadores acabou se transformando apenas em um lançamento caça-níqueis, visto que não houve cuidado na adaptação dos fliperamas para os consoles.
Depois de jogar os três games, é inévitavel ficar com a impressão que os jogos foram simplesmente emulados do arcade, já que o port está muito abaixo da qualidade esperada pelos fãs. Se não fosse pelos troféus / conquistas, mal daria para saber que o jogo está rodando nos consoles de hoje.

Gráficos fora da validade

Bons gráficos não dependem necessariamente de tecnologia e modernidade: Super Mario World, por exemplo, foi lançado há mais de 20 anos, continua impressioando pelas cores vibrantes e design inteligente – este tipo de game é como um bom vinho, que só melhora com o tempo. Infelizmente este não é o caso dos primeiros Mortal Kombats: pelos padrões de hoje, a concepção visual do game virou vinagre.

Mortal Kombat Arcade Kollection (Foto: Divulgação)    
 Claro que alguns elementos estéticos da franquia continuam sendo icônicos e atemporais, como o cenário The Pit e o arpão do ninja Scorpion, mas os gráficos digitalizados que impressionaram no começo da década de 90 estão visivelmente datados – tanto que a franquia os abandonou desde Mortal Kombat 4.

A solução ideal não seria refazer o jogo todo com polígonos – isso seria uma agressão a identidade da série – mas pelo menos trabalhar para que os defeitos mais aparentes fossem diminuídos. Em vez disso, continuamos a ver serrilhados, grossas linhas de chroma key e combos com poucos quadros de animação.
Som histérico

Mortal Kombat nunca foi famoso pela sua trilha sonora, mas esta adaptação conseguiu transformar o que era “irrelevante” em algo negativo. O som está péssimo: as trilhas são ruins, os efeitos sonoros parecem tirados de filmes dos anos oitenta e os gritos dos personagens são simplesmente irritantes – uma luta contra Liu Kang parece uma sessão de tortura auditiva, por conta dos agudos escandalosos.
O pior é que tudo isto poderia ter sido resolvido ainda mais facilmente do que os problemas gráficos: bastava remixar o audio original, o que deixaria o BG mais agradável e os efeitos sonoros (como o “Toasty!”após um gancho bem encaixado) mais limpos. Em vez disso, somos oubrigados a ouvir sons que parecem terem sido gravados com um telefone celular.

Mortal Kombat Arcade Kollection (Foto: Divulgação) 
 Controles truncados

Mortal Kombat sempre teve uma jogabilidade que agradou os iniciantes: em geral, os comandos são simples, e o tempo de resposta é permissivo. Porém, todos os jogos da série presentes nesta coletânea apresentam problemas de registro de inputs – o famoso “golpe que não sai”.
Além disso, velhos defeitos ainda permanecem. Na época do lançamento do primeiro Mortal Kombat, o jogo não contou com recurso de auto correção de golpes quando o seu personagem muda o lado da tela em que está (após pular por cima do inimigo, por exemplo), fazendo com que muitas voadoras miradas no oponente acabassem acertando o vazio. Se naquela época isto já era chato, 18 anos depois é simplesmente insuportável perceber que isto ainda acontece.

Mortal Kombat Arcade Kollection (Foto: Divulgação) 
 Outra coisa que irrita o jogador e que poderia ter sido melhorada é a forma de lutar do computador no modo arcade. A programação da CPU é baseada em leitura de comando, ou seja, o seu oponente reage com base no que você está tentando fazer, antes mesmo do golpe ser executado. Graças a isso, parece que o inimigo está lendo a mente do jogador, o que é desleal e bastante frustrante: para ganhar em Mortal Kombat, só apelando mais do que a máquina.

Poucas opções

 Todos estes defeitos até poderiam ser relevados – afinal, Arcade Kollection foi feito, teoricamente, para os fãs que já estão acostumados com os problemas dos Mortais mais antigos. Porém, os fãs que sustentaram a série por tantos anos mereciam versões de luxo destes títulos, e em vez disso, acabaram recebendo uma adaptação literal.

Você escolhe um dos três jogos na tosquíssima tela de seleção de máquinas e não é possível sequer acessar o options. Também não existem modos de jogo: é apenas o modo arcade, e olhe lá. Não custava ter acrescentado desafios, assim como os de Mortal Kombat 9, para fazer os jogos serem mais interessantes.
Outra coisa que todos esperamos de uma coleção é uma galeria de imagens, making offs e concept arts, ou até mesmo uma seleção de vídeos dos atores gravando as cenas que foram digitalizadas. Seria o máximo, e daria um status de “edição definitiva” para MK Arcade Kollection, mas infelizmente nada disto está presente no game.

Mortal Kombat Arcade Kollection (Foto: Divulgação)  
 Um modo Krypt, onde o jogador pudesse acumular pontos e destravar esses bônus, aumentaria o fator replay dos três jogos, mas como a Warner não pensou na longevidade do título, o jogador praticamente não tem incentivos para zerar o jogo mais de uma vez.

O modo on line, que poderia ser um chamariz para esta coletânea, é simplesmente triste. O jogo simplesmente roda travando, chegando a ser quadro a quadro em alguns momentos. E não há justificativa para um game leve (os três jogos tem menos de 250 megas) ter um desempenho tão ruim – nem o patch atualização, que saiu praticamente junto do lançamento do game, resolve estes problemas. O servidor de MK Kollection deve ser do mesmo tempo em que os jogos foram lançados, já que a transferência de dados parece coisa de conexão discada.
Finish Him!

Esta coletânea poderia agradar vários tipos de jogadores: saudosistas, fãs do arcade original, curiosos que zeraram o novo Mortal Kombat e querem saber como a trama se desenrolou na linha do tempo original dos primeiros jogos… mas a péssima adaptação consegue decepcionar todos estes.
É preciso paciência para encerrar os três jogos com bom humor, já que pelos padrões de hoje, a violência gráfica – principal atrativo da série na época de seu lançamento – não convence pelo realismo, nem impressiona pela quantidade.

 Para piorar, o tratamento preguiçoso dado pela Warner e pelo estúdio NetherRealm fizeram com que o jogo se tornasse dispensável, tudo pela falta de cuidado com qual o game foi tratado. Pela sua história, Mortal Kombat merecia mais capricho antes de chegar nas prateleiras virtuais da Live e da PSN.

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